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Educação em Angola

Angola Educação


Crianças estudando em uma sala de aula em Bié, Angola.
Logo depois da independência do país, uma das prioridades foi a de expandir o ensino e de incutir-lhe um novo espírito. Neste sentido, mobilizaram-se não apenas os recursos humanos e materiais existentes em Angola, mas concluiu-se um acordo com Cuba que previu uma intensa colaboração deste país no sector da educação (como, por sinal, também no da saúde). Esta colaboração, de uma notável eficácia, durou 15 anos, e possibilitou avanços significativos em termos não apenas de uma cobertura do território como também de um aperfeiçoamento da qualidade dos professores e do seu ensino.
Apesar destes avanços, a situação continua até hoje pouco satisfatória. Enquanto na lei o ensino em Angola é compulsório e gratuito até aos oito anos de idade, o governo reporta que uma percentagem significativa de crianças não está matriculada em escolas por causa da falta de estabelecimentos escolares e de professores. Os estudantes são normalmente responsáveis por pagar despesas adicionais relacionadas com a escola, incluindo livros e alimentação. Ainda continua a ser significante as disparidades na matrícula de jovens entre as áreas rural e urbana. Em 1995, 71,2% das crianças com idade entre 7 e 14 anos estavam matriculadas na escola. É reportado que uma percentagem maior de rapazes está matriculada na escola em relação às raparigas. Durante a Guerra Civil Angolana (1975-2002), aproximadamente metade de todas as escolas foi saqueada e destruída, levando o país aos actuais problemas com falta de escolas. O Ministro da Educação contratou 20 mil novos professores em 2005 e continua a implementar a formação de professores. Os professores tendem a receber um salário baixo, sendo inadequadamente formados e sobrecarregados de trabalho (às vezes ensinando durante dois ou três turnos por dia). Professores também reportaram suborno directamente dos seus estudantes. Outros factores, como a presença de minas terrestres, falta de recursos e documentos de identidade e a pobre saúde também afastam as crianças de frequentar regularmente a escola. Apesar dos recursos alocados para a educação terem crescido em 2004, o sistema educacional da Angola continua a receber recursos muito abaixo do necessário. A taxa de alfabetização é muito baixa, com 67,4% da população acima dos 15 anos que sabem ler e escrever português. Em 2001, 82,9% dos homens e 54,2% das mulheres estavam alfabetizados. Desde a independência de Portugal, em 1975, uma quantidade consideráveis de estudantes angolanos continuaram a ir todos os anos para escolas, instituições politécnicas e universidades portuguesas, brasileiras, russas e cubanas através de acordos bilaterais.
Por outro lado, verificou-se no ensino superior um crescimento notável. A Universidade Agostinho Neto, pública, herdeira da embrionária "Universidade de Luanda" dos tempos coloniais, chegou a ter cerca de 40 faculdades espalhadas por todo o país; em 2009 foi desmembrada, continuando a existir como tal apenas em Luanda e na Província do Bengo, enquanto se constituíram, a partir das faculdades existentes, seis universidades autónomas, cada uma vocacionada para cobrir determinadas províncias, inclusive pelo sistema dos pólos noutras cidades: em Benguela e Universidade Katyavala Bwila, em Cabinda a Universidade 11 de Novembro, no Huambo a Universidade José Eduardo dos Santos, no Lubango a Universidade Mandume ya Ndemufayo, em Malanje (com Saurimo e Luena) a Universidade Lueij A'Nkonda. Além disto existe desde a independência a Universidade Católica de Angola, em Luanda. A partir dos anos 1990, fundaram-se toda uma série de universidades privadas, algumas ligadas a universidades portuguesas como a Universidade Jean Piaget de Angola, a Universidade Lusófona de Angola, a Universidade Lusíada de Angola, e a Angola Business School (todas em Luanda), outras resultantes de iniciativas angolanas: a Universidade Privada de Angola com campus em Luanda e no Lubango, e em Luanda ainda a Universidade Metodista de Angola e a Universidade Técnica de Angola, a Universidade Independente de Angola, a Universidade Metropolitana de Angola, a Universidade Oscar Ribas, a Universidade Gregório Semedo a Universidade de Belas bem como o Instituto Superior de Ciências Sociais e Relações Internacionais. Todos estes estabelecimentos lutam, em grau maior e menor, com problemas de qualidade, e em Luanda alguns começam a ter problemas de procura.


postado por: António Manuel Mateus
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o ensino superior em Angola

O ensino superior em Angola 

Universidade anonima
 



O acesso ao ensino superior continua a dar que falar, tudo porque o sistema da “gasosa”aumenta assustadoramente. Numa ronda em várias faculdades da Universidade Agostinho Neto, o jornal “Angolense” constatou que os valores para o ingresso num destes estabelecimentos escolares estão avaliados em 2500 a 4000 dólares.

A juventude no nosso país recorre a delinquência e outras práticas perigosas quando fracassados os sonhos de alcançarem o título de doutores, hoje que só estuda quem tem condições financeiras favoráveis.

É normalmente nessa fase do ano que muitos desses jovens se preocupam em renovar as esperanças, face o anúncio de novas vagas, encaradas como “um truque”, segundo a fonte, para se dar a entender que existe ensino gratuito.

O sistema da gasosa não difere muito do ensino médio, pois depois do estudante ter feito as inscrições entra em contacto com um funcionário da instituição que o ajuda a segurar a vaga, após a entrega dos documentos.

Este por sua vez, aguarda pelos exames para quando os resultados saírem, juntar os outros documentos. Para que tudo corra sem sobressaltos, é necessário uma boa ligação do funcionário “corrupto”, com o pessoal da secretaria que alegadamente introduzem os documentos dos que pagam como se tratassem de pessoas que tivessem aprovado no exame de aptidão.

Na faculdade de direito, disse a fonte, as coisas são um pouco mais restritas, porque normalmente envolve “peixe grande”, mas há alguns anos atrás a situação era bem diferente, pois a chefe da secretaria tratava de tudo. “Ela fazia o trabalho de forma aberta, por isso, foi descoberta”, contaram alguns alunos, adicionando que a mesma foi despedida, mas deixou uma rede que continua a fazer este trabalho, considerado “serviço sujo”.

Os preços cobrados nesta Faculdade são os mais caros, 3500 a 4000 dólares. Na eventualidade das coisas derem erradas, os prevaricadores demarcam-se da responsabilidade. Um exemplo disso, é dona Joana, estudante do segundo ano da Faculdade de Direito que entrou por vias de “corredores”, mas que até hoje não tem a ficha de estudante. Estuda sem segurança e receia que caso seja descoberta irá para rua. “Recorri a esse meio, porque o nosso país está cada vez mais pior, já tinha tentado antes mas não consegui entrar, decidi endividar-me por essa prática, porque sempre sonhei ser advogada”, lamentou.

Já o Instituto Superior de Ciências da Educação (ISCED), é conhecido como sendo a Faculdade que menos barreira oferece aos “corruptos”, pois o sistema ali, revelou a fonte, as coisas nunca correm mal. “Aqui não há perigo”, informaram.

A facilidade começa a partir da portaria, onde os guardas informaram aos interessados sobre os preços. Naquela Faculdade, os preços são ligeiramente os mais baratos, 2000 a 2500 dólares. Já na Faculdade Letras o ingresso custa 3000 dólares, mas o sistema também é restrito, pois normalmente só os que têm conhecidos conseguem “furar”. 
postado por: António Manuel Mateus
fonte: Angonoticias
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